Crise financeira mundial

ADVB MG - A crise no mercado financeiro dos Estados Unidos atingiu o mundo em efeito dominó. O Governo tem tomando todas as providências para que esse terremoto não atinja o País de maneira tão contundente e pede ânimo aos empresários. Podemos dizer que o fortalecimento da nossa moeda a partir do Plano Real e a sua notória credibilidade externa são vantagens decisivas no posicionamento do País diante da crise? Como o senhor analisa os reflexos desse momento na nossa economia?

FHC - Certamente o fortalecimento da moeda e as boas políticas que advieram com o Plano Real, que continuam em marcha, ajudam o Brasil a suportar a crise. Mas não se pode dizer que ela deixará de ter efeitos no pais. Primeiro, porque as exportações diminuirão; segundo, porque faltará financiamento internacional para as exportações e para os bancos; terceiro porque haverá diminuição no ritmo do crescimento econômico e com isso poderá aumentar o desemprego e certamente a arrecadação do governo cairá.

ADVB MG - O mercado imobiliário interno vem de um período de grande euforia em função da facilidade de crédito para a compra da casa própria. A crise nos EUA, originada da inadimplência nos contratos imobiliários, não acende uma luz vermelha no ritmo das transações aqui?

FHC - Acende luz amarela sim, principalmente pela dificuldade nos financiamentos e pelo medo dos consumidores de se endividarem a longo prazo.

Reforma tributária

ADVB MG - A reforma tributária vem ao encontro dos anseios de todos os segmentos da sociedade brasileira. Prestes a entrar em votação, o texto da reforma tem um ponto controverso – o ICMS. Os interesses se dividem quanto ao imposto continuar no âmbito dos estados ou ser regulado pelo Governo Federal. O momento é de fato oportuno para o país rever o seu sistema tributário? Como chegar a um consenso quando cada estado, até dentro de uma mesma região, tem as suas peculiaridades?

FHC - É preciso analisar com maior detalhe o que a proposta de reforma ocasionará tanto para os contribuintes quanto para os governos estaduais. Pouca gente sabe o que ela contem mesmo e o momento econômico-financeiro não ajuda a uma analise objetiva.

Responsabilidade social

ADVB MG - O papel das empresas nas questões sociais e ambientais é hoje determinante na imagem de uma corporação. Temos iniciativas bem sucedidas nesse campo, e vemos o envolvimento crescente das organizações na questão Socioambiental. A ADVB procura estar sempre presente nas principais questões de crescimento social e econômico do país, e através de suas premiações, nesta área, visa cada vez mais estimular novos adeptos para o bem comum. Como o senhor avalia a participação das empresas neste processo? Na sua visão, há um resultado relevante no quadro social a partir destas ações?

FHC - Hoje em dia o mais importante na chamada responsabilidade social das empresas é a capacidade inovadora que elas possuem. Cada vez mais as parcerias publico/privado são importantes para acelerar os programas sociais e cada vez mais os empresários se convencem de que sozinhos não resolverão os problemas. Terão de influenciar as políticas púbicas, ajudá-las a que melhorem, pois só elas funcionam de modo abrangente para diminuir a exclusão social.

ADVB MG - No seu governo foram criados alguns programas sociais de incentivo ao equilíbrio social, entre eles o Bolsa Escola, Bolsa Alimentação e o Vale Gás. Como o senhor vê a relação do terceiro setor com o Estado nas demandas sociais? Podemos dizer que hoje a preocupação com a desigualdade é maior e o número de ações sociais que existe em vigor indica que estamos caminhando de fato para um mundo melhor?

FHC - A preocupação com a desigualdade é predominante hoje em dia. Não tenho duvidas de que a continuidade das políticas publica em educação, saúde e transferência de renda, com fortes parcerias com a sociedade civil, tem efeitos benéficos, desde que também haja crescimento da economia e do emprego.

Minas Gerais

ADVB MG - Em 2005, o crescimento do PIB do Brasil foi de 2,30% e o PIB de Minas Gerais cresceu 4,75%. Atualmente, a economia mineira cresce em forte sincronia com a economia brasileira, dados da Fundação João Pinheiro, instituição ligada ao governo do Estado. Como o senhor avalia esse contraste?

FHC - Minas está bem acima na media nacional de desenvolvimento econômico e social. Isto se deve aos mineiros e ao bom desempenho do governador Aécio Neves que, justamente, fez parcerias publico/privadas e se devotou aa boa gestão, em parceria com a Fundação Joao Pinheiro e com setores empresariais.

ADVB

ADVB MG - A ADVB nasceu há 50 anos, da necessidade de se organizar o mercado, que dava então seus primeiros passos no Brasil em direção à revolução industrial. Desde o início atuando como agente no debate de questões primordiais para o desenvolvimento do País, a ADVB é hoje respeitada por seus valores e contribuições no setor produtivo. Em sua opinião, que diretrizes a ADVB devem seguir para continuar contribuindo com o desenvolvimento do país e manter um "status" atuante neste desafio do século XXI?

FHC - A ADVB deve continuar a fazer o que sempre fez: ser um elo entre os de um conjunto de políticas para um Brasil melhor.




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